Função estratégica da área ainda é pouco reconhecida nos negócios
Renato Grinberg analisa o novo momento e as perspectivas para os profissionais de Recursos Humanos nas empresas 
Apesar de começar a se estabelecer em empresas de ponta, a importância estratégica do RH ainda é pouco reconhecida no Brasil. Além disso, uma recente pesquisa realizada com 600 funcionários da Trabalhando.com, apontou que 33% deles não entendem qual é a real função do setor na empresa.
O diretor e especialista em carreiras e mercado de trabalho da Trabalhando.com, Renato Grinberg, analisa o novo momento dos profissionais de RH e a percepção destas mudanças pelo mundo corporativo.
As empresas nacionais estão atrasadas no modo como lidam com seu capital humano?
Não, as grandes empresas nacionais estão se destacando no modo como lidam com seu capital humano e o modo como tem exportado esse conhecimento. Por conta da cultura latina e de um histórico de crises, nossos profissionais de RH tem uma sensibilidade maior que o comum para lidarem com as necessidades do ser humano, além de ter jogo de cintura para se adaptarem a novas regras.
Quais são as atribuições de um profissional de RH no mundo corporativo atual?
Nos últimos 10 anos, em algumas empresas de ponta, o RH passou a participar de decisões estratégicas, analisando custos e riscos e tem adquirido poder de decisão em processos de fusões e novas aquisições ou ingresso em novos mercados, por exemplo.
Qual a importância estratégica destes profissionais para as empresas?
No caso de uma fusão, por exemplo, é preciso que o RH monte uma estratégia para integrar a cultura das duas empresas e estabelecendo ações de comunicação para evitar o desencontro de informações entre funcionários e possível fuga de talentos.
Por que o reconhecimento da função estratégica do RH demora a acontecer?
Porque há uma dificuldade em encontrar profissionais de RH preparados para lidar com estas questões, ao mesmo tempo em que ainda existem gestores que não aceitam que o RH deve participar das tomadas de decisão da empresa.
E qual a solução para reverter este quadro?
Investir em formação. É mais fácil treinar dentro da empresa funcionários com boa pré-disposição para aprender do que tentar “caçar” talentos fora da empresa.
Quais são os conhecimentos necessários para profissionais que lidam com o capital humano das empresas?
Precisa haver uma complementação entre conhecimentos em humanas, como no caso dos psicólogos, e conhecimentos em administração empresarial. Hoje, ainda vemos mais psicólogos do que administradores no RH, mas a tendência é que isso se reverta nos próximos anos.
Na sua visão, os profissionais de RH das empresas brasileiras estão preparados para lidarem com todos os aspectos que envolvem o capital humano?
É muito difícil uma empresa ter funcionários preparados para lidar com todos os aspectos que envolvem um RH, como a gestão da saúde dos funcionários, por exemplo. O importante é que o RH esteja “antenado” a estas necessidades e saiba a hora certa de contratar empresas especializadas neste tipo de suporte.
Sobre o papel dos profissionais de RH, qual seria o “mundo ideal” e qual é o “mundo real” que se vive hoje no mundo corporativo?
No mundo ideal, o RH de todas as empresas deve estar inserido nas decisões estratégicas que envolvam os negócios da corporação. No mundo real, este reconhecimento chegou apenas às empresas “de ponta” e caminha aos poucos.
Como “startar” essas mudanças?
Contratando mais profissionais que tenham essa visão de negócios. É preciso entender que o mercado tem exigido mais profissionais com uma visão exata e estratégica na área de recursos humanos. Ele deve ter uma carreira focada na área de negócios, seja complementada pela própria graduação ou em uma pós ou mestrado.
Portal HSM
19/09/2011
www.maximconsultores.com.br
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